Essa coisa de liberdade
A liberdade do indivíduo assusta muitos. As maiores máquinas de terror da história foram montadas para acabar com a liberdade humana.
Há dois tipos, fundamentais, de entendimento. Ou o homem é livre de per se, e o que o Estado
faz só pode diminuir essa liberdade - i.e., o homem deve ser protegido da coacção do Estado - liberdade negativa. Ou o homem precisa de um Estado forte para ser livre - precisa que oEstado lhe garanta certas condições mínimas - liberdade positiva.
Há um livro nas bancas (Rousseau e Cinco Inimigos da Liberdade) em que o autor, Isaiah Berlin, destrói Fichte, Rousseau, Hegel, entre outros, que defendem o segundo conceito de liberdade (poderia também falar de Marx, por exemplo). Berlin mostra que o conceito segundo o qual necessitamos da força do Estado para ser livres leva, vezes demais, a que seja imposto ao indivíduo uma forma de vida. A sociedade é formatada segundo alguns padrões e que se lixem as vontades individuais.
Também por isso sou defensor do conceito de liberdade negativa. Aquela segundo a qual nós todos temos direito de viver como queremos e entendemos desde que não entremos em conflito com a escolha de vida de outro indivíduo. E é por isso que defendi o Não ao aborto, por entender que as escolhas de um indivíduo se devem poder sobrepôr à vida de outro. Por isso defendo o fim dos casamentos civis, porque acho que as escolhas de dois (ou mais, na verdade) indivíduos em se juntarem não deve ser "vigiada" pelo Estado - e quem quiser casar segundo qualquer religião deve fazê-lo com toda a liberdade, sem ter que "dar baixa" ao Estado. Por isso defendo liberdade na educação, pois todos pagamos um sistema gratuito (reparem no contra-senso) que é miserável em muitos sítios e não permite que um prestador privado compita com o hegemónico (e formatador) "serviço público". Por isso defendo a baixa agressiva dos impostos, por muito politicamente nonsense que alguns a achem, para permitir que nos sobre a todos mais dinheiro no bolso, para fazer as nossas escolhas, e não as que o Estado predeterminou (ainda que esteja convencido que o sistema vai morrer por dentro, com tantos impostos que um dia todos sejamos obrigados a fugir). E por isso defendo a multiplicação de licenças de televisão para mais variedade de expressão e de pensamento (e, confesso, o fim das novelas depois de jantar...).
E mais diria. Mas este é um blogue de apoio a Paulo Portas. Será Portas o embaixador destas ideias no CDS? Não de todas, certamente. É Ribeiro e Castro? Provavelmente de nenhuma. Eu quero um CDS em que possa defender estas ideias livremente. Em que sejam discutidas e ponderadas.
Se eu quisesse um partido que defendesse as minhas e só as minhas convicções, ia ali fundar o Partido do Micha. Que ia ter uma linda história de 1 voto, eleição após eleição... Ao aceitar estar num partido (até nem estou, mas estar numa "Jota" vai dar ao mesmo) aceito que eu defenda coisas diferentes das do partido, e o partido defendas coisas diferentes das minhas. É a vida.
Têm aqui pois mais algumas ideias, minhas e não de Portas, para o futuro da Nação.